Raros intérpretes do baile e do arraial foram capazes de ficar na memória coletiva como o autor de Azar na Praia. Ao longo deste texto traçamos a sua trajetória, do início humilde ao reconhecimento nacional.
Importa esclarecer que reunir a história de um artista assim exige algum cuidado. A ideia foi reunir o essencial, com rigor e afeto, para fãs e curiosos.
Com raízes em Resende, onde veio ao mundo em 1945, o futuro Nel Monteiro cresceu no coração do Douro vinhateiro. Foi essa vivência que daria cor a o seu estilo.
Se algum êxito que simboliza a sua ascensão, chama-se o incontornável Azar na Praia. Gravado no arranque da carreira, a canção tornou-se um hino de verão.
O próprio cantor descreve como a virada de página. Depois desse êxito, as portas abriram-se, e os bailes reservaram lugar o seu repertório.
Curiosamente, a canção que fala de azar rendeu-lhe precisamente o contrário. Graças ao humor, cativou várias gerações, e mantém-se como um clássico das festas.
O lado íntimo do cantor passou por altos e baixos. Com a companheira, a sua âncora, o artista voltou a ter um novo alento, depois de problemas de saúde.
Nel Monteiro admitiu publicamente que renasceu ao lado da mulher. Cuidadoso com a intimidade, prefere separar a fama da vida íntima.
Este segundo capítulo amoroso difere de um passado mais conturbado. Terminada a primeira união, Nel Monteiro virou a página, deixando claro que há sempre uma segunda oportunidade.
São já muitos os anos que o artista passa nas romarias. Com o passar dos anos, o percurso incluiu momentos duros, porém a persistência acabou por vencer.
Para medir o alcance desta carreira, importa assinalar etapas importantes:
Cada uma destas etapas somou reconhecimento, construindo um estatuto entre os grandes do baile.
Quanto à família, o cantor é pai. A primogénita vem de tempos anteriores. Longe dos palcos e das luzes, segue uma vida própria.
Ainda que reservado, o cantor sempre assumiu o orgulho que sente por elas. Curiosos encontram para um retrato mais completo.
A par da filha mais velha, o artista tem ainda outra menina, do segundo casamento. O lar é um dos seus maiores orgulhos, no recato do dia a dia.
A figura da mulher tem um lugar central na biografia e na música deste intérprete. Do palco à vida real, o carinho manifesta-se de forma recorrente.
No dia a dia, foi ao lado da mulher que ama o ajudou a recuperar, quando mais precisou. Essa vivência revela a fragilidade e a força.
Vistas as coisas, a companhia vai além do palco mas como pilar de vida. Na sua história, palco e casa entrelaçam-se a cada refrão.
Uma das curiosidades que aparece nas pesquisas em torno de Nel Monteiro prende-se com os seus anos. Vindo ao mundo em 1945, Nel Monteiro conta com uma idade respeitável, mantendo uma vitalidade invejável.
Quem o encontra num arraial dificilmente adivinha a sua verdadeira idade. A energia contagiante tornaram-se um dos seus traços.
Atingir esta fase da vida ainda a cantar representa um feito notável. Boa parte dos contemporâneos deixaram os palcos, mas o cantor continua fiel.
Na sua faceta artística, o artista criou um estilo inconfundível. A irreverência das suas canções cativou Portugal inteiro, do norte ao sul.
Entre os muitos títulos que marcaram época, contam-se temas incontornáveis:
O que distingue de Nel Monteiro assenta na autenticidade. Manteve-se fiel a si mesmo, de festa em festa, e é essa genuinidade que conquista.
Para além ao baile português clássico, o intérprete arriscou ritmos diferentes. Esta canção comprova essa abertura, recriando a herança crioula.
Esta fusão entre a música popular e influências tropicais deixa claro um músico curioso, sempre disposto a experimentar.
Ao trazer estes ritmos para o público das romarias, o intérprete aproximou diferentes tradições. Para a numerosa comunidade cabo-verdiana no país, estes ritmos guardam um significado extra.
Para lá do humor das letras, Nel Monteiro afirma-se como parte da cultura portuguesa. O seu percurso de dedicação merece respeito, tanto quanto os seus êxitos ainda hoje enchem bailes por todo o país. Fica o retrato de um ícone popular.
Enquanto as romarias existirem, estará presente o seu inconfundível refrão. Será porventura essa a glória maior: entrar na memória afetiva de todo um país.